segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Meu presente é você.




Feridas abertas, mal curadas, quanta dor.
Sufocado, desacreditado do ar que respirava.
Mãos que tateavam o medo e o impalpável.
Cambaleante, sem força ou destino, andava.


Contaminado pelos rancores, cheio de dissabores.
Mirando o nada pela frente, apenas esperava.
Esperança que só amargava um coração vazio.
Fitando um final incerto, uma luz incomodava.


Olhos cansados, que ao escuro se acostumaram.
Noite infinita que em pesadelo se transformava.
Depois de cair cansado, sentindo o gosto do chão.
Levantei em busca daquela luz que me chamava.


Abrindo os olhos lentamente, logo pude desvendar.
Era você com seu com seu brilho que me esperava.
Sem entender, apenas senti o que meu coração dizia.
Um silêncio cheio de verdades que em mim brotava.


Aquele nevoeiro foi se dissipando e um clarão surgia.
Tomando fôlego, respirando fundo o ar que me faltava.
Renasciam em teus abraços todos os sonhos enterrados.
Uma alegria que ressurgia, enchendo-me de vida estava.


As vendas d´alma foram caindo, as amarras se desatando.
Fui logo percebendo o sentido que minha vida tomava.
Era o destino sorrateiro me levando em sua direção.
Mostrando que você era um presente que eu ganhava.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Doce encontro, doce Lírio.


Meus olhos resolveram desejar aquele lírio, aquela flor.
Salpicada de delicadezas, simplesmente me encantou.
Em meio ao verde, sua brancura salta e reluz.
Seu cheiro raro me entontece, já nem sei aonde vou.


O destino nos coloca de frente com coisas simples.
De repente numa manhã como outra qualquer.
Você me aparece do nada, me inspira e me faz criar.
Uma poesia para uma flor em forma de mulher.


Lírios, lírios: nos campos, espalham um mar de beleza.
Carregam em si toda força da simplicidade.
Deitam e se levantam ao doce sabor do vento.
Tens o cheiro do amor e a fragrância da felicidade.


Um raro encontro se dá assim, quando menos se espera.
Uma flor que quando se abre, explode em sensações.
Afasta todo mal a sua volta, com um sorriso iluminado.
Une almas que nunca se viram, numa sintonia de paixões.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Obra de arte.

A tinta escorria por entre os meus pensamentos, colorindo meu universo monocromático. Um fino pano branco se esticava pelos quatro cantos daquele quadrado sem vida: Madeira morta pregada com ferro frio, a espera das nuances que dariam vida ao objeto inanimado. Um cenário se desenhava enquanto minhas dúvidas se amontoavam do lado de fora da tela. Nela, nua, crua e delicada, somente traços certeiros, nada da sujeira dos rascunhos riscados a carvão e lápis. Formas que se definiam em profundidade e perspectiva, se misturavam à trama do tecido maculado pelo pincel que deslizava suave pelos seus poros simétricos. Cores que se amalgamavam numa miscelânea infinita e surpreendente. Aquele quadro tinha vida própria e gritava, quebrando o silêncio, pedindo que fosse pintado com cuidado e dedicação especiais. A obra se aproximava de seu ápice apoteótico, quando de repente, uma explosão ensurdecedora interrompe o ato criativo: Uma paz toma conta de tudo e somente o som de tinta secando invade de forma melódica todo o ambiente. Era o fim. Nada mais poderia ser feito, qualquer pincelada a mais, qualquer minúsculo pingo de tinta, poderia estragar a perfeição do momento. Nascia naquele instante um filho único e original, dotado de detalhes exclusivos que o diferenciavam de todos os outros. Tinha sua identidade, uma marca única que o distinguia e o elevava ao patamar de obra de arte.

domingo, 15 de julho de 2012

Um dia inspirado.

Hoje o dia se enfeitou de alegria,

Um sol, um céu, vontade de vida,

Um vento trouxe seu cheiro doce,

Sinto o perfume da flor colorida.



Vestido que se molha pela grama,

Pés que correm na direção da paz,

Inspiração que me eleva chão acima,

Sei que posso como sei que sou capaz.



O impossível já é, o infinito é logo ali,

Passos firmes no sentido da certeza,

Já vejo o horizonte riscando ao meio,

Acima um azulado, abaixo: pura beleza.



Aqui me acho sem nunca me perder,

Aqui me perco na certeza de te achar,

Às vezes parado esperando por você,

Nas voltas que o mundo insiste em dar.



O amor me acordou batendo à janela

És bem-vindo, sente-se, fique a vontade,

Entre e invada esta casa sem cerimônia,

Por aqui se instale e que seja de verdade.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Um anjo em minha vida





De suas asas sinto o vento a me acariciar,

Sua presença a zelar pelos meus sonhos,

Uma voz macia acalenta minhas aflições,

Transforma lágrimas em pingos risonhos.



Sua luz clareia as estradas que percorro,

Seu sorriso preenche os vazios da alma,

Palavras doces em ouvidos antes amargos,

Carinho que sobra, amor que me acalma.



Uma paz assustadora toma conta de mim,

Por perto estás, posso senti-la bem aqui,

Sua força livra-me dos que o mal me desejam,

Fique sempre por perto, preciso muito de ti.



Quero cuidar de você, sei que cuidas de mim,

Em meu colo deitar todos os seus lamentos,

Certeza de que no aconchego dos meus abraços,

Transbordará alívio para os seus sofrimentos.



Minha vida à sua se mistura, somos quase um,

Quero que meus desejos aos seus se somem,

Sinto agora a proteção de suas asas, anjo meu,

Entre e seja muito bem-vinda à vida deste homem.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Mais que uma casa.

Resolvi morar onde talvez ninguém morasse. Decidi construir uma casa onde as paredes são desnecessárias, porque limitam meus sentidos mais preciosos. No alicerce escolhi sedimentar pedras sólidas de sentimentos puros, nobres e sinceros. Este lar teria o tamanho dos meus sonhos, dos meus desejos e por isso não caberia em terreno que se possa medir. De frente ele teria a medida do infinito, de fundo ele se estenderia pela eternidade. A vista que se teria deste lugar, olho nenhum seria capaz desfrutá-lo, sem que uma lágrima de êxtase rolasse em direção ao chão. Este meu canto em que me esconderia, deixou der ser meu quando encontrei alguém que construía uma casa exatamente como a minha. Quando pensei que, como louco, era o único que ousava tamanha proeza, me convenci de que este sonho só teria sentido se fosse compartilhado com alguém, que como eu, escolhi a felicidade como digna moradia. Mal sabia que nossos terrenos imensuráveis eram vizinhos e que se uniam sem cercas e nem muros que nos separassem. Tudo ficou mais fácil, quando descobrimos que os materiais, que até então havíamos escolhido para edificar tal construção, eram exatamente os mesmo: cimento à base de muito amor, tijolos feitos de carinho e respeito, areia repleta de admiração e uma liga raríssima de desejo incontrolável que sedimentaria toda nossa casa e a transformaria no melhor lugar pra se viver. No nosso quintal decidimos plantar um jardim de flores simples, mas completamente necessárias para embelezar o que já era muito belo. Lírios de olhares silenciosos, rosas de paixão incondicional, flores do campo repletas de alegria e sorrisos e no meio destas flores frugais plantamos uma de rara beleza e extrema delicadeza: uma orquídea branca de tranquilidade e paz, que não acha em canto algum. Em nossa horta, decidimos plantar só o que nutrisse nossa alma e nosso espírito e que nos enchesse sempre de esperança de expectativas de dias sempre melhores. Esta casa já começou a ser construída e como tem a nossa cara, o nosso jeito, o nosso olhar, nunca permitiremos que mais alguém ajude nesta obra. Ela é só nossa e por mais trabalho que dê, ela será erguida com as nossas mãos, com o nosso suor com muito trabalho, mas com a certeza plena de que depois de concluída, se é que algum dia ela será concluída, sentaremos juntos num banquinho de frente para a nossa obra prima e talvez cansados, mas muito realizados olharemos um para o outro e diremos bem baixinho: Valeu a pena meu amor!

sábado, 15 de outubro de 2011

Onde?

Onde está o seu cheiro, seu gosto, sua voz, sua pele, seu corpo, seu sorriso? Onde está o seu olhar, seu carinho, seu desejo, seu toque, seu sussurro, sua manha, seu dengo? Onde está o meu amor, a minha vida, a minha alma, o meu ar, a minha água, o meu sangue, a minha lágrima, o meu suor? Onde está a minha alegria, a minha felicidade, o meu suspiro, o meu prazer, a minha vontade de viver? Onde estão nossos sonhos, nossos planos, nossas risadas, nossos beijos, nossas loucuras? Onde estão nossos travesseiros, nossos lençóis, nossas roupas, nossas noites, nossos abraços, nosso silêncio? Onde? Onde me escondo? Onde eu vou? Onde estou? Onde mato esta saudade que me mata?

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Minha melhor figurinha.


Hoje me lembrei com saudade do tempo em que minha maior diversão era colecionar figurinhas. Colecionava as mais diversas: de jogadores de futebol, animais exóticos, dinossauros, personagens de história em quadrinhos. Juntava cada centavo de troco que minha mãe me dava quando ia comprar alguma coisa na vendinha da esquina. Acho que ela nem entendia o porquê de tanta presteza. Se ele dizia que estava precisando de ovos pra o bolo ou cebola para o almoço, logo me habilitava, e claro, na volta, com carinha de pidão, entregava o troco como quem se despede de algo tão querido. Ela toda derretida, não resistia aos meus apelos sentimentais e me dava umas moedas. Corria para juntá-las às outras dentro de um pé de meia, pois sempre detestei os tais cofrinhos em forma de porquino, até porque era muito mais difícil de tirá-las lá de dentro. Quando contava meu pequeno tesouro e via que já era o suficiente para uns envelopes de figurinha, me desembestava eufórico para a banca de revistas do seu Zé e todo faceiro adquiria meus bens mais valiosos. Se os abria ali mesmo na rua? Evidente que não. O ritual só começaria depois que chegasse em casa e me trancasse em meu quarto. Espalhava meus álbuns e figurinhas repetidas em cima da cama e numa expectativa sem explicação abria um a um os envelopes, como se fossem bilhetes premiados de loteria. A ansiedade era inexplicável: Será que preencheria mais algum espaço vazio dos meus álbuns? Será que me frustraria com as famigeradas figuras repetidas? Ou o melhor: Será que ao abrir, bem devagarinho, se revelaria aquela figurinha raríssima que nenhum dos meus amigos tinha? Quanta saudade: Eu e minhas figurinhas éramos inseparáveis. Dentro da mochila de escola, havia uma centena delas, repetidas, prontas para serem trocadas com os colegas. Ah! Tinha também o jogo de bafo, rodas e rodas de meninos apostando suas preciosas figurinhas. Em dias bons, dava pra voltar pra casa com um montão delas. Nunca apostávamos as mais raras, as minhas estavam guardadas em uma caixa de sapato que ficava em cima do guarda-roupa. Nos finais de semana, minha casa mais parecia uma feira, era um entra e sai de amiguinhos querendo trocar suas figurinhas. Tudo era cercado de muita seriedade, regras que regiam o ritual das permutas. Figurinha repetida sem muito valor era na base de uma por uma. As mais difíceis ou aquelas que faltavam para preencher o álbum do colega variava na base de duas ou três por uma. Mas as raríssimas chegavam a valer umas vinte ou até rolava dinheiro na parada. O negócio era sério mesmo. O mais interessante era a convivência democrática entre colegas, era filho de advogado, com filho de pedreiro, carpinteiro, engenheiro... não tinha essa não: todo mundo tinha que respeitar a ética dos colecionadores mirins. Uma convivência cheia de harmonia que faria inveja a qualquer reunião diplomática da ONU. Num desse dias de muita sorte, um vizinho meu, bem pobrezinho, meu grande amigo Juca, tirou a sorte grande e abriu um envelope abençoado com uma daquelas figurinhas raríssimas que ninguém nas redondezas nem sonhava possuir. Foi um alvoroço, os mais riquinhos logo ofereceram de tudo pelo tesouro do Juca. Vinha menino de todo lado pra tentar levar a tal figurinha tão falada. Mas o Juca manteve-se firme e não trocou por nada. Na verdade ele estava curtindo a fama que conquistou na vizinhança pela sorte alcançada. Ele foi bajulado, assediado e dava pra ver na carinha dele tirando a maior onda com os mais bacanas. Confesso que até tentei usar da minha influência de melhor amigo, oferecendo uma porção de coisas, mas logo desisti. Eu também me sentia feliz pelos dias de fama que ele havia conquistado. Os dias se passaram e foi chegando o período de férias. Oba! Praia, mar, bicicleta, sorvete e novas namoradinhas de verão. Comentei com o Juca que iria viajar para o litoral durante as férias. Ele todo tristinho, perguntou se voltaria logo e ficaria uns dias no bairro para brincarmos juntos. Aquilo me cortou o coração. Sua família era extremamente pobre e ele não teria a mínima condição de passar férias como as que eu passava. Corri pro meu pai e pedi se poderia levar o Juca conosco para praia. No início ele não gostou muito da ideia, mas depois de certa insistência, cedeu. Fui eufórico dar a notícia pra meu grande amigo. Deu mais um trabalhinho pra convencer sua mãe a aceitar, mas no final tudo deu certo. Viajamos, eu, meus irmãos e o Juca. Praia: aí vamos nós! Só não sabia de um detalhe, ele nunca havia conhecido o mar. Quando chegamos, descemos do carro e fomos em direção ao mar. A cena que se seguiu é difícil de ser descrita. A cara extasiada do Juca diante do mar, seu desiquilíbrio e surpresa a cada onda que batia em seus pés era de emocionar qualquer um. Todos nós paramos e inertes só observamos este verdadeiro espetáculo de vida. O Juca se virou pra mim, enfiou a mão no bolso e tirou, toda amassadinha a figurinha que ele tanto presava e me deu. Não tive coragem de pegá-la. Mas aquela cena se transformou na minha figurinha mais valiosa. Essa eu não guardei dentro de minha caixa de sapatos, guardei no coração e não troco, não vendo e não dou pra ninguém. É só minha.

sábado, 6 de agosto de 2011

Uma busca, um desejo.





Uma busca, um encontro, um olhar
Uma chama adormecida que se acende,
Uma velha esperança que renasce
Um sopro de vida logo se sente

Um coração machucado
Uma lembrança que atormenta
Uma saudade que se vai
Uma vontade que aumenta

Um peito que se aperta
Uma veia que salta
Um suspiro que alimenta
Um amor que faz falta

Um recomeçar que se avista
Um reinventar que se aproxima
Uma inspiração que me motiva
Uma paixão que me anima

Uma surpresa que acalenta
Uma vida nova que se ganha
Um horizonte que se abre
Um sentimento que se assanha

Um sorriso que me ilumina
Uma beleza que tonteia
Um novo mundo que se explora
Uma direção que me norteia

Uma surpresa que não se espera
Um prazer em conhecê-la
Um presente que se agradece
Um só desejo: o de tê-la

domingo, 17 de julho de 2011

Se afaste de mim.


Hoje me deparei com você. Olhei você bem de frente e logo te reconheci. Você vem sempre antes que eu te chame. Sei, que com você por perto ,fico protegido. Mas nem tudo que me cerca me faz mal. Portanto, nem sempre preciso de sua ajuda. Muito pelo contrário: você muitas vezes me limita e me faz desistir de coisas maravilhosas. Sempre com a desculpa pronta de que é para o meu bem. Se não se ofender, peço que me dê um tempo, deixe-me viver livre de ti, pelo menos por enquanto. Deixe-me respirar e decidir sem a sua pressão. Com você por perto sempre recuo, quando, indo em frente, poderia descobrir novos caminhos, novas alternativas e novos horizontes. Quando decidi pular de paraquedas, você tentou, o tempo todo, me convencer do contrário. Quase cedi aos seus encantos de proteção e desisti. Mas desta vez não te dei ouvidos e resolvi assumir os prazeres, as sensações e as consequências do minha decisão de pular. Pulei e não me arrependo, um segundo sequer, do incrível frio na barriga e da deliciosa sensação de voar que tive. Se tivesse te escutado, nunca teria sentido tal emoção. Por isso te peço, encarecidamente, que se afaste de mim. Me deixe em paz...me deixe ser livre pra decidir sem seus apelos sedutores. Se ainda não entendeu, vou ser mais claro: estou diante de uma grande decisão em minha vida. Se me fecho ou me abro pro amor e para suas consequências inesperadas, mas muito intensas. Então vou repetir, com todas as letras: MEDO, se afaste de mim!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Uma ficção de mim.



Inventei-me quando me dei conta de mim. Inventei um jeito de ser, de ver e principalmente de sentir o mundo.  Não escolhi o cenário, nem os personagens que contracenaram comigo. No meu enredo, achei que fosse o protagonista. Um engano que me custou um choque de realidade: sou apenas um figurante de minha própria história. O roteiro que escrevi pra mim, sofreu tantas alterações, que nem sei mais a quem atribuir a autoria. Pouco importa, pra que me preocupar com os créditos desta história, se nem sei se subirão ao final do filme?  Nesta ficção: sonhei, idealizei, esperei, desesperei e cheguei a conclusões tão confusas que nem poderiam receber este nome. Na verdade são inconclusas. Pensei que fosse encenar uma aventura, cheia de drama com pitadas de comédia. Vi tudo se transformando num drama cheio de comédia com pitadas de aventura. Mas acho que tudo vai terminar numa grande comédia cheia de drama e sem nenhuma aventura. Entende minha dificuldade em finalizar esta ficção? Estou pra lá da metade das gravações e nem imagino o nome que darei para esta história maluca, se é que darei algum nome. Sempre que me sento para rever o que já foi feito, chamando minhas lembranças, vejo um material bruto, sem edições nem cortes. A finalização será complicada. Expectadores? Sei exatamente quem assistirá: eu, só eu. Uma plateia solitária, aplaudindo, vaiando, rindo e chorando. Se me frustro com tal fracasso de bilheteria? Claro que não: afinal de contas, criei, roteirizei, encenei, gravei, editei e lá estarei todo arrumado, bem vestido e cheiroso para a estreia desta ficção de mim: uma história inventada e baseada em fatos reais e imaginários que só agora ganha título pouco pomposo, mas muito significativo: Minha Vida.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Pra você.


Nunca imaginei que esta troca de energia fosse tão intensa.
Quando decidi dividir, o que sempre ficou trancado em gavetas solitárias, mal podia supor a dimensão que isso ganharia.

Logo vi que entre as mulheres, benditas mulheres, minhas palavras ganhavam um brilho e um eco todo especial.

Quanto carinho, quanta doçura: cada vez que vejo meus versos despretensiosos, ganhando vida em outras vidas, penso: Está valendo a pena.

Confesso que escrevo o que gostaria de ler, nem sempre da forma genial como meus grandes ídolos literários escreveram, mas tudo carregado de muita verdade e sentimento.

Agradeço por me aturar todos os dias, não como seguidora, acho forte e inapropriado, mas como amiga, parceira e companheira ou na pior das hipóteses, como uma leitora.

E como tenho dito insistentemente: Que a minha poesia não te iluda, mas te faça enxergar a realidade de uma forma mais doce.

Você me enche de felicidade e inspiração e me faz sempre acordar cheio de vontade de compartilhar.

Não tenha nenhuma dúvida de que é uma troca injusta, pois apesar de não te conhecer, escrevo tudo pra você, mas no final quem sai ganhando sou eu.

Valeu! Um grande beijo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Em frente.


Caminho sempre em frente, mesmo que não saiba aonde vou.


Uma maneira simplista que encontrei de fugir dos meus medos e buscar o que ainda nem sei.

Sei que meus passos me levam na direção do infinito, na certeza de um final incerto.

Em frente é sempre melhor, retrocederia se tivesse convicção de que lá seria melhor.

Os caminhos que percorri já os conheço, quero o novo, o incerto, o risco, a dúvida.

Como descobrir novas perspectivas me conformando com o óbvio ou com o palpável?

Como alcançar novos horizontes com meus pés fincados na mesmice?

Quero mais, muito mais. Mais força, mais energia, mais vitalidade, mais amores, mais vida.

O futuro é sempre melhor que o passado, porque que é inédito.

A esperança me inspira tanto quanto a lembrança, com a vantagem de me fazer ir em frente.

Surpresas me movem; Inesperados me motivam, enquanto a rotina me oprime.

Passo a passo, todos na mesma direção, me conduzem a horizontes ainda inexplorados.

Se sei onde tudo isso vai dar? Claro que não! Se sequer imaginasse o desfecho da caminhada, pararia e mudaria o rumo.

Qual a graça de saber o final do filme ou do livro que se lê? Na vida não é diferente.

Porto seguro é puro mito e ilusão. Se aportarmos, que seja só para reabastecer e seguir nossa eterna viagem.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Piegas mas infalível: Eu te amo mãe!


Não sou ligado em dias comemorativos, acho pura invenção de moda pra vender mais presente e ponto final.Minha intenção não é divagar sobre o tema e nem polemizar. A história que vou contar é completa e absolutamente autobiográfica e começou num estalo que me deu, tocado pelas propagandas todas que invadem nossa televisão, mestres em romantizar o assunto.
O que faria pra homenagear a minha mãe?  Pensei em um milhão de coisas interessantes que, primeiro poderia ter feito, no passado, pra agradá-la: Ter estudado mais, brincado menos, ter concluído todos os cursos que deixei pela metade. Sei lá...é passado, não tem como voltar e corrigir o incorrigível. Então pulei esta parte e passei direto para as maluquices faraônicas que chamariam mais a atenção dos vizinhos do que da mamãe: Helicóptero jogando pétalas de rosas, outdoor com frases piegas, carro de som cafona gritando seu nome pela rua. Pare, pare, pare! Isso é coisa para o programa do Gugu.
Pensei em mais uma porção de coisas que, com certeza, chamariam sua atenção, mas estariam anos-luz de expressar um sentimento tão intenso e profundo. Sem contar os micos todos que a fariam morrer de vergonha, se bem a conheço. Então parti para o campo da meditação filosófica. Fiquei por minutos olhando pro teto pensando: Por que amo tanto a minha mãe? Como disse era uma viagem filosófica que se encaminhava velozmente para o universo psicológico. Que piração! Pensei primeiro nas filhas e filhos que nem acham suas mães lá estas coisas. Por que existe muita gente assim, eu conheço várias. Mas mesmo assim, temos todos algo em comum quando o assunto é mãe. Um sentimento fortíssimo que balança o coração de qualquer reles mortal dito normal. Mas antes de dizer a que conclusão cheguei, permita-me abrir um parênteses, para homenagear brevemente, as mães dos meus filhos: Duas mulheres maravilhosas que muito me orgulham por serem tão mães e cuidarem tanto dos meus pequenos: Minha esposa e a minha ex-mulher. Disse brevemente, por que sinceramente acho, que quem tem que fazer as maiores e mais efusivas homenagens são meus filhos. Agora eu quero tratar da minha mãe, permita-me!
Onde estava mesmo? Ah! Na conclusão que cheguei.
Só hoje entendo, o que os grandes filósofos e pensadores, talvez devam ter custado a entender, que se na infância fui tão feliz, não foi, com certeza por causa da bola, do pião, do vídeo game (já existia), da pipa, da boneca, do carrinho...nada disso. Só agora entendo que se fui tão feliz durante estes anos, foi porque você estava lá o tempo todo a me espiar, me cuidar, me olhar, me admirar, me entender, me acarinhar e principalmente e talvez tão somente para me amar.
Por isso me perdoem intelectuais e críticos de plantão, mas o que vem por aí é muito brega, antiquado, piegas, démodé, cafona... Chame como quiser. Só posso e vou terminar este texto, como todos os outros textos no mundo terminarão. O que qualquer mãe espera neste e em todos os outros dias de um filho é um puro e simples: EU TE AMO MÃE!

Obs. Auto-biográfica: Tive o privilégio de ter duas incríveis mães, igualmente amorosas e diferentemente carinhosas. Marly e Irene, a mãe da minha mãe que partiu, deixando uma saudade enorme que não passa nunca. Né mãe? O mais bonito é que termino este texto, fazendo uma coisa que há muito tempo não fazia: chorando.

domingo, 1 de maio de 2011

O Andarilho


O andarilho chutava latas solitárias pensando nos anos de felicidade que se foram.
Seu ofício de andar se tornava sempre mais leve a medida que boas memórias o moviam.
Suas doces lembranças saltavam ao rosto transformadas em sorrisos singelos.
Nunca olhava ninguém diretamente nos olhos, se bastava em seu mundo hermético.
Suas conversas duravam horas, sem que uma só palavra fosse dita à alguém.
Seu companheiro inseparável: seu saco sujo de roupas curvava um olhar ao chão.
Ria, gesticulava, argumentava com veemência: sempre no sentido do vazio.
Só ele enxergava seu parceiro de caminhada: completo em si mesmo, era pleno.
Minha curiosidade sobre suas histórias só aumentava a medida que sua independência se firmava.
Olhava invejoso toda aquela auto-suficiência, sua autonomia me incomodava.
Como alguém que vive só, dorme mal, come de vez em quando, ainda pode acordar todos os dias e caminhar?
Seu sorriso satisfeito, que dificilmente o abandonava, iluminava todo o seu redor.
Aquele caminhante me inspira todos os dias: seu semblante não me passa nenhum sofrimento.
Só um lembrar e um recordar infinitos que o faziam um vencedor de si. Absolutamente completo.
Se ser louco é isso, então é assim que quero envelhecer. Vivendo, rindo e lembrando.
Futuro? Acho que não. Seu hoje é o que importa para que seu passado retorne sempre vivo.
Tentei construir um milhão de histórias que ele nunca fez questão de me contar.
Seu passado só interessava ao seu companheiro imaginário, parceiro de muitas lutas.
Desprezado, invisível aos olhos da multidão, mas nunca aos meus. Sempre o acompanhava absorto.
Acho que um dia fui notado por ele: pra mim uma surpresa e uma conquista.
Percebeu, mesmo sem me olhar, que eu o seguia com os olhos e com o pensamento.
Queria tanto uma pontinha de conversa com aquele ser intrigante e autônomo.
Aproximou-se devagar e sorrindo levantou os olhos em minha direção.
Meu coração acelerou diante do fato raro. O que ele dirá?
Absolutamente certo de que não me pediria nada, só esperei.
Olhou bem no fundo da minha alma e com a voz enrouquecida pelo tempo disse-me: Obrigado!
Entregou-me um pedaço de papel de pão sujo e deu meia volta, sem mais uma palavra.
Cheguei a arriscar um “por que”, mas logo abaixou sua cabeça e continuou sua andança.
Calado, surpreso com o inusitado, gritei antes que se distanciasse: Eu que agradeço senhor!
Sem olhar para trás, apenas acenou, levantando um dos braços.
No papel, uma poesia feita de palavras desconexas: para mim soaram como merecedoras de um Nobel.
Vai andarilho, siga em paz o seu lindo caminho e não me conte nada, seja feliz.
Pensei, refleti e dobrei aquele momento com todo o carinho para não amarrotá-lo.

domingo, 24 de abril de 2011

Liberdade?


Um poeta que se prende se perde.
Evoquei todos os sábios pensadores em busca de um tema.
Só me encontrei novamente em tuas palavras.
Uma ânsia de colocar pra fora o que está cadeado.
Chaves? Só em tuas mãos. Abra-me, me liberte, me solte.
Sufocado pelos conflitos, sinto meus pés acorrentados.
Um paradoxo em forma de prisão. Não quero a liberdade.
Quero que este cárcere se materialize e se eternize.
Não planejei que assim se desse. E daí? Cá estou, inerte.
Imobilizado pelas amarras impostas pela hipocrisia social.
Uma farsa que nos empurra em direção à mediocridade.
A mesmice de um dia-a-dia previsível e enfadonho.
Consolo-me quando me imagino livre deste cenário escuro.
Vejo flores, campos, mares, céu azul e muito, muito verde.
Neste imaginário colorido vou pintando devagar o cinza da realidade.
Realidade que se aviva nesta busca incansável.
Uma jornada inglória, que só fará sentido, se no final você estiver lá.
Que assim seja.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Jogo de sedução


O jogo já havia começado, quando entrei por aquela porta: chapéu Panamá, cigarro fino nos dedos, copo de Jonnie Black.. uma indumentária escolhida meticulosamente para impressionar,  queria chamar a atenção e consegui. Os olhares todos se voltaram em minha direção. As apostas eram altas. Uma tensão absurda tomava conta do ambiente, aumentando minha ansiedade e a minha vontade de entrar naquele jogo. Quando me sentei diante daquele feltro verde logo me deparei com um par de esmeraldas que me ofuscaram: nem tanto pela intensidade do seu brilho, muito mais pela profundidade com que me fitava. Sabia perfeitamente dos riscos que corria, mas estava disposto a enfrentá-los: confesso, tive uma ponta de medo. Mas a vontade de ganhar era muito maior, incontrolável. Comecei só sentindo a mesa, estudando cada movimento, cada expressão dos meus oponentes. Entre os olhares que se cruzavam, logo percebi que nem todos ali estavam jogando pra valer. Mas havia uma apostadora que levava a coisa a sério. Não estava lá para brincadeiras.  Não era a toa que quase não se via suas mãos escondidas atrás da montanha de fichas que já havia amealhado. Entrei no jogo com vontade de desafiá-la, os outros, pouco me importavam: eram meros coadjuvantes. O jogo se desenrolava exatamente como havia suposto: ela continuava ganhando. Sabia como fazer a coisa. Recuava na hora certa e apostava alto quando tinha absoluta certeza do final. Estava convencido que não era só sorte. Impossível que ela contemple apenas um dos jogadores. Até que numa dessas rodadas pedi minhas cartas e filando-as uma a uma, bem devagar, me maravilhei com o que vi. Um daqueles jogos que só aparecem uma vez na vida. Tinha que conter minha euforia. Segurar meu fôlego, discretamente, para não levantar suspeitas nos meus oponentes. Algo muito difícil com o jogo daqueles. Minha única torcida era que ela também tivesse boas cartas nas mãos para não correr do jogo e me enfrentar cara a cara. E assim se deu: Não sabia se blefava ou se realmente tinha um jogo melhor que o meu. Apostei tudo o tinha na convicção de derrotá-la e passar a mão naquele monte de fichas coloridas. Mas como boa jogadora, me surpreendeu mais uma vez: fuzilando-me com aquelas esmeraldas, dobrou a aposta na certeza do meu recuo. Cheguei a pensar que seu jogo fosse realmente melhor que o meu.
Bateu uma insegurança, subiu um calor, suei frio diante de tudo o que estava envolvido. Mas não podia mais voltar atrás. Aquela era a rodada derradeira, a decisiva. Olhei fixo nos seus olhos e pedi que mostrasse seu jogo. Estava pagando pra ver. Foi o único momento em que vi medo em seu olhar. Sem perder a classe, ela delicadamente abaixou suas cartas e sorriu. Antes de mostrar meu jogo, parei por um segundo pra desfrutar da cena que me encantava. Um sorriso. Um olhar. Um momento.
O final? Do que importa? Eu já havia conquistado o que mais queria. As cartas, os outros, o cenário..era tudo detalhe. Só importava o que um queria do outro. Se eu ou ela ganhamos? Tanto faz... iríamos gastar todo o dinheiro juntos.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Seu presente.


Ninguém, melhor do que você, conhece suas necessidades, seus anseios mais profundos, suas esperanças mais nobres, seus desejos mais secretos, suas vontades inconfessáveis... Ninguém.
Hoje você já se abraçou, se beijou, se elogiou e o mais importante: já se disse o quanto se ama?
Pode parecer coisa de maluco egoísta. Mas não é, tenha a certeza.
Os grandes sábios, pensadores e profetas escreveram sobre isso e todos, sem exceção, chegaram à mesma conclusão: nossa maior viagem é pra dentro de nós mesmos.
Quanto mais pra longe de nós caminhamos, mais distantes ficamos do principal: nosso cerne, nossa alma, nossa essência.
Num dia importante como este, não pergunte quantos irão te ligar, presentear ou te abraçar. Todos os que vierem serão bem vindos, mas seu convidado, mais que especial, já está aí bem pertinho o tempo todo.
Só que muitas vezes passa quase despercebido e triste, se isola do restante da festa.

Hoje é o seu dia e o seu melhor presente é você!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Universo cor-de-rosa


Quando comparo o seu mundo com o meu, dá até dó.
No seu universo tudo é maior: superlativo, intenso, para não dizer mais , cheiroso, saboroso e viçoso.
Nos preparativos para nossa saída a humilhação é grande: tomo banho, no máximo faço a barba, calça, camisa, sapatos. Que pobreza! Já estou, sentado, esperando o show que é seu ritual de beleza:
Banho, cremes, xampus, óleos, espelho, escova, pente, secador, blush, rímel, batom, lápis, sombra, perfume, brincos, colares, anéis, sutiã, calcinha, blusa, saia, meia-calça, sandália. Espelho...não foi dessa vez, tira tudo, só ficam calcinha e sutiã e começa de novo: calça, blusa, taier, sapato. Espelho...espera aí...ainda não foi desta vez, tira de novo, acho que agora vai: vestido, lenço, outra meia, outro sapato. Espelho, dúvida, tira um brinco, troca um colar, sapato... Ainda não ficou legal...mas estamos quase lá. Bolsa número 1, bolsa número 2...número 3...acho que agora sim...opa! Cinto número 1, número 2... Espelho. Retoca cabelo, maquiagem... Dúvida.
Pergunta cruel: Ficou legal? Resposta inteligente: - Claro meu amor. Simplesmente, maravilhosa. Mas tem que ser com convicção, se titubear um pouquinho, corro o sério risco de ter que esperar muito mais. Tudo pronto? Claro que não. Pra humilhação ficar maior, você olha para mim, com uma carinha de desprezo ajeita a gola da minha camisa, dá um retoquezinho no meu penteado, me olha de cima em baixo e solta: - É...ficou legal. E eu que estou há horas esperando ainda tenho que escutar: - Vai tirando o carro senão a gente vai se atrasar.
Sem mágoas, rancores ou inveja...apenas pura constatação de fatos.
Isso pra ilustrar apenas uma mínima parte do que é o seu infinito universo intrigante.
Se fosse teorizar sobre outros aspectos, mais profundamente, teria que escrever um livro todo ou uma coleção deles para sequer arranhar o tema.
Nesta galáxia feminina de estrelas, brilhos, luzes, cores e nuances... Sou apenas um coadjuvante que orbita ao seu redor, embasbacado e encantado com a grandeza deste universo cor-de-rosa.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Nossa sintonia


Olhava o objeto inerte repousado numa prateleira. Desenho antigo, formas ultrapassadas: nada novo.
Mas algo me dizia que voltaria à vida se a energia voltasse a correr por seus fios.
Circuitos carcomidos, peças inativas e uma poeira que se arraigava no seu íntimo.
Feito peça de museu, descansava sereno, cercado por cacarecos inanimados.
Num sopro de vida, ressurgiu com seus chiados, depois de ser alimentado com a força da tomada. Desprezado, até então, pelos avanços modernos, aquele rádio parecia radiante frente à chance de falar novamente.
E assim se deu: um som de nostalgia invadiu todo aquele ambiente quieto. Seus botões enferrujados voltaram a girar à procura de ondas que se transformariam em música. Busquei uma sintonia fina, delicadamente, nas pontas dos dedos. Aquele magnetismo invisível entrava antena à dentro e decodificado se mutava em melodias.
Podia sentir suas veias pulsando novamente: feliz por tal ato generoso.

Aquilo me fez pensar: como somos parecidos com aquele rádio velho que só precisou de um gesto para voltar à vida.
Somos antenas vivas que partilham a mesma busca por uma sintonia que nos preencha e nos complete. Olhamos sempre em volta e nos indagamos: Será que já encontramos o par que nos fará sentir tal sintonia vital? Uma energia circulante que nos invade por inteiro e move-nos a enfrentar os chiados barulhentos que nos atordoam.
Talvez paremos de funcionar um dia sem experimentarmos está sensação sublime de plenitude.
Talvez a busca pela sintonia ideal seja mais interessante do que realmente encontrá-la: se é que ela existe.
O mais certo é que nesta epopéia desbravadora, acho que me esbarrei com alguém na mesma trajetória inglória.
Nossos pensamentos se cruzaram e se distanciaram sempre na mesma sintonia: algo raro, mas absolutamente possível. Nossa jornada, desde então, tem sido um misto de chiados e melodias: mas todos em perfeita harmonia.
Como aquele rádio encostado: voltei a me sentir vivo.
Pronto para muita música.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Teu seqüestro


Estou aqui planejando os detalhes do seqüestro que farei.
Sem comparsas nem testemunhas: só eu e você.
No fatídico dia, sem levantar suspeitas, colocarei a minha melhor roupa.
Perfume de primeira pra impressionar, afinal a primeira impressão que se perpetua.
Nada pode dar errado. Começando pelo carro que escolhi.
Espaçoso, confortável, elegante. Afinal, a seqüestrada tem classe.
No dia e no local combinados (seqüestro consentido) abrirei a porta, com um olhar sedutor, curvarei-me diante da raptada, com os braços estendidos e as mãos espalmadas,  convidarei-te a entrar. Detalhe: sem nenhuma palavra, só gestos cavalheiros.
O cativeiro? Coisa de cinema: ar condicionado previamente ligado, essências perfumadas no ar, banheira quentinha com seus sais prediletos, pétalas de rosa espelhadas pela cama, balde com gelo e Chandon. Tudo milimetricamente calculado. Afinal este é um seqüestro pra impressionar.
O pior ainda está por vir. Com requintes de crueldade, planejo uma seção de torturas.
Depois de amarrá-la, com lenços de seda à cabeceira da cama, começarei beijando seus pés bem lentamente, dedinho por dedinho, passo a passo, subindo sem pressa ou afobamento: lembre-se é uma tortura.
Você lá estendida, inerte e impotente pedirá que continue e eu, como bom torturador, negarei... não é seqüestro relâmpago...pra que tamanha ansiedade?
Resgate? Pra que? Quem eu mais desejo, estará lá, inteirinha só pra mim.
O final da história?
Sua alma raptada, seguida de uma Síndrome de Estocolmo:
você completamente apaixonada, me pedindo, com carinha de “quero mais”, que repita a dose quantas vezes eu quiser.
E assim será, profetizo.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Sou criança


Ele acordou, cheio de energia, pegou seu carrinho com linha amarrada na ponta e começou sua viagem:
Uma estrada repleta de desafios, todos intransponíveis, mas para ele não: afinal seu carro é o mais possante e incrível que existe. Monstros assustadores e coloridos enfileirados não são nada diante do bólido que  dispara pela sala. Derrubou-os um a um sem medo. Riu do perigo: faceiro pela façanha, orgulhoso pelos obstáculos vencidos. Logo enjoou da aventura e partiu pra outra. Deitou-se no chão apanhou um palito de sorvete e se transformou num pesquisador da vida selvagem. Formigas fazem fila e se amontoam no pirulito deixado na noite anterior. Sem problema: com seu apetrecho de exploração começou a festa. Seres minúsculos debandaram pra todo lado, correndo assustados diante do gigante que se aproxima. A brincadeira logo perde a graça: picada no dedo não vale, dói e isso não é legal. Sem perder o pique, logo enxerga um punhado de figurinhas amassadas por algazarras anteriores. Viram, instantaneamente, notas de um dinheiro que pode comprar tudo. Prédios de madeira, carros de fórmula 1, postos de gasolina, foguetes, baratas... opa! Aquele bichinho novo não estava ali. Interrupção: A seção de tortura já vai começar. Carrinho na mão, atropelamento na certa. A danada, ligeira como só, dispara e não quer conversa com as perversidades.
Sem problema, caixa de brinquedos vazia: tudo esparramado pelo chão. Opção não falta. Para por um minuto, olha atentamente a sua volta, como que maquinando novas traquinagens. Tudo ali perde o interesse: o foco agora é o armário da cozinha. Panelas barulhentas e vasilhas de plástico coloridas são muito mais convidativas. Colher de pau na mão. Sentem-se os convidados: já vai começar abatucada. Uma sinfonia de barulhos ensurdecedores que aos seus ouvidos soam como música clássica. Sua carinha de felicidade batendo desenfreada e amalucadamente dá gosto de ver. Até de ouvir.
Esta criança mora aqui dentro e sempre que preciso de coragem pra enfrentar as coisas de adulto, me curvo diante de toda sua sabedoria e ouço atento o que ela tem a me dizer. Funciona.

Viva!


Tudo aconteceu num daqueles dias de encontro consigo mesmo.

Sentado na areia, contemplando o vai vem das ondas: só pensando.
O mar tem este poder mágico de nos encantar e nos chamar à reflexões.
Olhando muito além do infinito horizonte que divide céu e mar, fui surpreendido
por um brilho ofuscante: Uma garrafa que, calma, flutuava como barco à deriva, sem rumo certo.
Como um inseto dominado pela luz, não conseguia tirar os olhos da luz refletida.
O ecologista logo se irritaria a pensar no lixo que levaria séculos para se decompor.
O poeta logo pensou: uma daquelas garrafas de filme com uma carta em seu interior.
Continuei ali, seduzido pelo objeto que navegava refletindo a luz intensa do sol.
Quando fechava os olhos, um ponto luminoso invadia a escuridão que se formava dentro de mim.
Inerte diante dos meus desatinos oníricos, forçava meu pensamento a chamar o vidro em minha direção.
Sentia-me um sensitivo poderoso fazendo aquele brilho chegar às minhas mãos.
Ele veio, trazido por uma onda espumante, que por um instante ofuscou seu reflexo e logo se dissipou, fazendo a garrafa brilhar novamente, me convidando a pegá-la.
Por acaso ou destino, sua translucidez revelava todo o seu interior: lá estava o papel enrolado, exatamente como imaginava que fosse.
Abri a garrafa, puxando devagar a rolha que vedava o segredo escondido em seu íntimo.
Improvável, inimaginável, mas possível. Eu era testemunha viva e a magnitude e a irrealidade do momento só a mim me interessava.
Desenrolei, com cuidado e paciência, o papel amarelado pelo tempo e pude ler o seu conteúdo escrito numa máquina de escrever:

“Fui muito feliz durante poucos anos de minha vida.
Todos eles durante a minha infância. Quando pude ser dono de mim, resolvi ser dono do mundo.
Conquistei muito dinheiro e poder.
Mas nunca joguei bola com um filho, não empinei pipa e nem joguei bolinha de gude como meu pai fazia comigo.
Agora é tarde. Sozinho, velho e doente espero a morte sem ter tido vida.
Não faça como eu: viva!”

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Os "Ésses" de minha vida.


Hoje fui surpreendido com uma pergunta.

Aquelas que vêm lá do fundão da alma.

Fiz tudo o que queria na vida?

A resposta foi uma fita rebobinando em direção ao passado:

Saudades, solidões, surpresas, sensações, sentimentos, sabores,

sonhos, soluços, socos, sacudidas, sustos, selinhos, supetões, sexo,

sutiãs, sacanagens, sorvetes, sol, sangue, suor...

Uma porção de “ésses” que serpentearam toda minha vida.

Fizeram-me, rir e chorar, mas me fizeram viver tudo com muita intensidade.

Completo? Claro que não! Estou vivendo, aprendendo a desaprender.

Quero muito mais. Mais “ésses” para fazer tudo no plural.

O “singular” é só, o “plural” está sempre acompanhado, bem ou mal, mas acompanhado.

Quero gente por perto compartilhando seus “ésses” comigo.

Dividindo, multiplicando, somando e as vezes subtraindo...ninguém é perfeito.

Estes “ésses” são só meus, mas junto com os seus, se transformarão numa combinação infinita de “ésses”.

Vem comigo! Sentir, subir, saltar, sonhar, surfar, saborear, sambar...

A resposta a minha inquietante pergunta? Claro, tinha que começar com “ésse”:

Sempre!

domingo, 10 de abril de 2011

Vamos?


A proposta que tenho pra você não é indecente é incandescente:
Você será a minha lua e o que eu quero fazer com você: uma viagem.
Pode parecer uma combinação ingênua e doce... Mas como disse, é quente.
Talvez o sol fosse mais apropriado, mas acho que não combinaria com a ocasião. Vamos arrumar um jeito de colocá-lo na narrativa: afinal é o astro rei.
Os amantes preferem a noite para suas viagens sensuais.
Por que tal analogia com tom romântico e onírico?
Por que os poetas amam de um jeito diferente: transformam o óbvio e o palpável em devaneios.
O que o homem mais desejou durante séculos foi conquistar o satélite em discussão.
Os poetas a conquistaram muito antes dos astronautas e de uma forma muito mais interessante.
Não quero conquistá-la. A conquista tem muito mais a ver com posse: aquisição.
O que quero é viajar em você: explorar e descobrir cada cantinho de prazer e desejo.
Com carinho, calma, paciência... como todo bom explorador o faria.
Pra que a pressa?...Demorei tanto pra te encontrar. Agora vou curtir cada instante com delicadeza.
Meus apetrechos para esta viagem já estão separados: perfume, desejo, flores, vontade e champanhe.
Contagem regressiva é fundamental: afinal nem a Nasa segura tamanha ansiedade.
Os detalhes da viagem? Não posso estragar a surpresa. Perderia o charme e a graça da proposta.
Ah! Já tinha me esquecido do Sol.
Depois de nossa longa e deliciosa viagem pela noite, um belo café da manhã, abriremos a cortina e o convidaremos à mesa: - Entre, sente-se, sinta-se a vontade, ilumine e aqueça estes dois viajantes que, exaustos, precisam repor suas energias e começar novamente sua viagem ao infinito.
Esse será nosso segredo inconfessável: uma viagem à lua entre quatro paredes.
E o sol como nossa testemunha.

sábado, 9 de abril de 2011

Abismo de você.


Sonhei que estava a tua procura sentado a beira de um abismo.

Pé ante pé me aproximei, arriscadamente, de um vazio sem fim.

Você ainda não estava lá, mas sabia da sua presença a me observar.

Olhei com cuidado, equilibrando-me para não despencar ou me perder.

A intenção era só espiar, sem riscos ou aventuras: só te olhar.

Tentando enxergar o fundo do precipício, cheguei perto de mais.

Refreei meus impulsos por um instante e me sentei para balançar os pés.

Uma miscelânea de delírios e expectativas: perspectiva de algo muito grandioso.

O perigo se aproximava, mas inerte, não conseguia mais sair dali.

O vento soprava forte me empurrando, impiedoso, em direção ao nada.

Quando decidi dar meia volta e parar com a brincadeira perigosa... Tarde demais.

Meus instintos mais primitivos já haviam me convencido do contrário.

Levantei-me, respirei fundo, abri meus braços e gritei pelo seu nome com força.

O som que ecoava de volta, aliviava a solidão do momento e quebrava o silêncio.

Tinha a mais absoluta e convicta certeza de que estava lá: quieta a me espiar.

Quando, já exalto pela espera interminável de um sinal de sua presença, ouvi:

-Vem! Atire-se em minha direção, aqui estou: pronta pra te abraçar com força.

Era você, com seu chamado irrecusável e tentador, a me pedir que me jogasse.

Sem titubear, resolvi assumir a conseqüência deste ato desatinado.

- Lá vou eu, sem receios ou amarras, livre e de peito aberto. Disse convencido.

Aprumei a postura... Estufei meu peito... Fechei meus olhos e...

Acordei!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Hoje meu banho é pra você.


Esfregarei cada cantinho de mim, na certeza de vê-la em todos eles.

Meus cabelos? O melhor shampoo: arrepio-me de pensar em tuas mãos a afagá-los.

Muito carinho e sabonete no peito: é lá que irá aconchegar-se.

Dedicação e espuma a vontade: preparo-me como quem vai ser consumido.

Escova e pasta de dente sem parcimônia: refresco minha boca para depois esquentá-la em você.

Meu Armani te espera. Banho de boa fragrância: que te tonteia e te faz mergulhar em mim.

A melhor camisa: pura formalidade. O final é certo: ela será arrancada na primeira oportunidade.

Calça, meias, sapatos. Tudo bem devagar. Sem pressa. O momento merece.

Tudo pronto. Me olho no espelho, faço pose, estufo o peito e me convenço: é hoje.

Um longo ritual de preparação que terminará entre lençóis de seda.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dia de luto.


Pensei que hoje fosse um dia para se esquecer.


Crianças, filhos do Brasil, que covardemente foram ceifadas de futuro.

Uma cobertura jornalística apelativa e espetacular, que transformou tudo em um show de horrores.

Uma sociedade completamente atônita diante de suas próprias mazelas.

Indivíduos trancafiados, totalmente em pânico, inertes diante de seus computadores.

Crianças apavoradas diante de tamanha selvageria, traumatizadas pelo vírus que contaminou nossa sociedade moribunda.

Hoje, definitivamente, é um dia para ser lembrado.... estudado, analisado e principalmente refletido: onde foi que nós erramos?

terça-feira, 5 de abril de 2011

Como pipa a voar.



Aqui de cima tudo é diferente. Mais calmo, mais bonito, mais intenso.

- Com licença, abutre: lá, ave repugnante, aqui plaina altivo, soberbo, absoluto.

Aqui me sinto leve, sem os meus pesos mortos, que lá me fazem andar cansado.

Flutuo feito pena: suave, procurando alguém que me pegue e me sopre pra longe.

Sinto-me cercado de algodão doce. Nas nuvens me aconchego feito em colo de mãe.

O vento que me sustenta, refresca minhas angústias que lá me fazem queimar de dor.

Tudo me parece menor, minúsculo, sem a mínima importância: fragmentos de vida.

Daqui ouço um zunido interminável que disfarça os sons de solidão que me perturbam.

Não quero descer. Quero ir mais alto, mais longe. Entrar na órbita dos seus pensamentos.

Girar em torno das suas loucuras e delírios e aterrissar suave nos seus sonhos.

Sou como uma pipa no ar: papel de seda colorido, varetas que me sustentam e linha, muita linha pra voar bem pra longe, na certeza de qu,e em tuas mãos, serei recolhido e voltarei feliz.



Uma referência ao incrível site da minha amiga Pipa http://agentepodiasevernoar.blogspot.com/

domingo, 3 de abril de 2011

Silêncio da verdade.


Sons de vida que invadem meu íntimo,

no silêncio é que me encontro comigo,

quieto grito sem pudor ou vergonha,

espanto pra longe meu maior inimigo.



Calado, penso em meus acertos,

me deparo sempre com a verdade,

certeza duvidosa das coisas que fiz,

erros que me afastam da realidade.



Despido de barulhos incômodos,

trancado em minha masmorra,

me encarcero em pensamentos,

antes que de solidão eu morra.



Silêncio: bendito mal que me leva

à mundos nunca antes visitados,

transformes esta eterna viagem

em sons de tesouros conquistados.



Hora de ouvir o que tens a dizer:

fale silêncio, dê um sinal de existência,

diga mesmo o que não quero ouvir,

acabe logo com esta penitência.



Me mostre sem falsa piedade,

o que preciso, depressa, enxergar,

me alivie este fardo de dúvidas.

Preciso, o som da verdade, escutar.

sábado, 2 de abril de 2011

Rumo à Terra do Nada


Destino incerto e surpreendente,

que me arremessou em sua direção,

que me fez perder o norte

e me sacudiu feito furacão.



Mestre da vida, levado e sorrateiro,

que me fez esquecer quem sou,

na ânsia de ter você por perto,

mexeu forte e pro nada me levou.



Destino arrebatador

que, sem pena, destrói meu mito,

foi me dando asas para pairar,

feito Ícaro voando ao infinito.



Vento que me arrasta pra longe,

lá vou eu, rumo à Terra do Nada.

Achando que estivesse perdido,

me achei nos braços da amada.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Homem com TPM


Meu martírio mensal com dia certo para começar:


Se te deixo sozinha: - Seu egoísta, você não liga mais pra mim.

Se fico com você: - Você não me deixa respirar... preciso ficar sozinha.

Se te olho demais: - Tá olhando o que? Tá me achando gorda?

Se não te olho: - Você nem repara em mim... Nem notou que eu fiz escova.

Se te dou um presente: - Tá querendo o que em troca?

Se não te dou nada: - Eu sei que você levou flores pra sua mãe.

Se te dou um selinho: - Você não me beija mais como antigamente.

Se te dou um beijão: - Dá um tempo... você só pensa “naquilo”.

Se te levo café na cama: - Isso é hora de me acordar?

Se não preparo o café: - Tudo eu nesta casa!

Se te pego no trabalho: - Tá com ciúmes? Tá desconfiado de alguma coisa?

Se não pego: - No tempo de namoro, você me esperava todo dia na porta.

Se pergunto se foi ao cabeleireiro: - Tá me achando feia... tá me chamando de relaxada.

Se não pergunto: - Você nem quer saber aonde eu fui. Nem sente ciúmes de mim.

Se olho pra uma mulher bonita: - Pode deixar que eu vou dar o troco... o primeiro que passar...

Se me comporto e não olho: - Você viu que mulherão que passou por nós? Que pernas...

Já aprendi a lição: mulher na TPM é uma antítese ambulante. Um paradoxo apaixonante.

O ministério da Saúde adverte:

Tentar entender uma mulher já é difícil. Durante a TPM... Impossível!

Nada como uma barrinha de chocolate pra amenizar a situação.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Paz dos amantes.


Arrepio-me todo com a ponta da sua língua no meu pescoço.

Perco o juízo, o rumo, a direção... Fico tonto e cheio de vontade.

Sorvo tua saliva como quem se lambuza em manga madura.

Tua boca queima na minha, meus olhos se fecham e viajo em você.

Sinto suas unhas machucando minhas costas: dor e prazer sem medida.

Somos um, grudados, interligados em perfeita sintonia e suor.

Meus dedos tateiam cada pedaço de você procurando e causando prazer.

Melhor é ver você toda derretida me olhando como quem pede.

Como música de primeira, ouço você ofegando e gemendo.

Sinto o coração me arrebentar o peito querendo sair pela boca.

Não agüento mais... Parece que vou explodir de tanto gozo.

Refreio os meus instintos, respiro fundo... Muita calma nesta hora.

Meu prazer é ver você indo às nuvens como foguete desnorteado.

Tsunami, terremoto, explosão nuclear... nesta hora nada importa.

Nosso fim é certo: morreremos e nasceremos em segundos eternos.

Pronto! Como que por encanto tudo se transforma em sonho e delírio.

Uma paz arrebatadora toma conta de tudo... A paz dos amantes... Depois o silêncio.

terça-feira, 29 de março de 2011

Dia de...


Delicada, dengosa, deliciosa,

doida, decidida, densa, destemida.
Devo decifrar doces delírios.
Dominar devaneios desregrados.
Decidido, dou duro. Duvida?
Dedicado, dou de dez.
Dúzias de diamantes.
Dezenas de dedicatórias.
Dois dedos de deliciosas declarações.
Destino: doido, desejo devorá-la.

Adeus Zé.


Lá se foi o Zé...
Zé de Lula...
Zé de luta...
Zé das Gerais...
Zé do Brasil...
O Brasil sem o seu Zé ficou mais triste.
Drummond profetizou:
“Mas você não morre, você é duro, José!”
Ficam seu exemplo, sua luta e sua fé.
Valeu Zé!


segunda-feira, 28 de março de 2011

Sentidos do desejo










Pupilas se dilatam, narinas se abrem
Meu corpo, queimando, te chama
Ar que falta, desejo que sobra
Quero você em minha cama

Sinto cada veia do meu corpo
saltando e pulsando desritmada
Pêlos se eriçando, poros se abrindo
Não penso, decididamente, em mais nada

Todo hormônio de nome estranho
Invade-me e transforma tudo em mim
Cada milímetro do meu corpo te espera
Ânsia pura, um turbilhão sem fim

Na boca sinto meu coração saltando
No peito explode minha loucura
Fervendo, minha pele queima
Se estiver doente, não quero cura

Minha saliva pede a sua
Meu suor ao teu se misturando
Perdoe-me Drummond de Andrade,
Este “inconfesso desejo” acaba me matando

sábado, 26 de março de 2011

Recomeço


O poeta volta a escrever como quem volta pra casa.
Se sente bem diante das letras, porto seguro.
Palavras que se amontoam e pedem pra sair.
Idéias que imploram para serem vistas.

Um poeta não para de criar, para de escrever.
Quando retorna, cai no aconchego dos versos.
Como criança faceira, brinca com pontos e vírgulas.
Como bicho feliz, abana o rabo para as palavras que se aproximam.


Feliz por estar de volta e dividir com os amigos o que sinto e penso.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Minha inimiga

Grito aos cantos o quanto te temo
És perversa, vil e impiedosa
Tiras de mim quem mais amo
Deixas n´alma ferida dolorosa

Covarde, que a tantos apavoras
Roubas de mim quem mai quero
Despedaças meus sonhos
Não te anseio nem te espero

Inimiga: temida e odiada
Não te aproximes dos meus
Afasta-te pra bem longe
Sigas em paz os caminhos teus

Sei que levas bondosos e malvados
Só não toques em nenhum filho meu
Me leve embora antes deles
Tanta dor, ninguém nunca mereceu

És o fim certo de todo vivente
Caminhamos em tua direção
Adiamos o encontro inevitável
Não me espere, não vou não

Pra quem ainda não percebeu
Falo de quem é mais forte
Evito pronunciar teu nome
Com medo, fujo de ti oh morte

sábado, 14 de agosto de 2010

Prisão de mim


Fui condenado a morrer de pensar: cumpro a pena.
Preso pelas algemas das minhas confusões, me conformo.

Amarrado pelo insano ato de criar: escrevo resignado.
Quanta raiva brota dos meus dedos insaciáveis.

Quanta indignação nasce dos meus poros suados.
Lágrimas ácidas que escorrem e me queimam.

Minha boca ansiosa quer xingar, mas está lacrada.
Saltam veias dos meus olhos: raízes vermelhas entranhadas.

Minhas unhas sujas coçam o couro surrado pela injustiça.
Corro sem sair do lugar. Meus pés cimentados me seguram.

Fico surdo. Ouço cada sussurro como gritaria insuportável.
Minha sentença é eterna. Como infinitas são as palavras.

Palavras que me libertam da masmorra que me encarcera.