domingo, 25 de julho de 2010

Sou invisível

Passeio invisível em meio à multidão.
Gente andando, correndo, gente vivendo.
Vejo a pipa que voa pintando o azul.
Vejo a bola fazendo festa com a garotada.
Mas vejo o menino que pede.
A menina que se vende.
O velho abandonado andando só.
Vejo e não sou visto.
São histórias que se cruzam.
Vidas que se entrelaçam.
Tudo convive em paz aos meus olhos.
Nada me choca, nada me alegra.
Nada me abala, nada me satisfaz.
Sou apenas expectador e não me vejo.
Não faço parte deste quadro pintado.
Meu retrato está escuro: foto velada.
Ator desta peça? Drama ou comédia?
Continuo invisível. Minha atuação é nula.
Como nulos são meus sentidos.
Tudo que vejo é apenas registro sem legenda.
Transparente, passo despercebido.
Vida acontecendo e eu só assistindo.
Hora de voltar. Hora de ser visto.
O espelho do meu banheiro me espera.
Preciso me enxergar: ver quem sou.
Ver se o que restou de mim ainda vive.

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