domingo, 4 de julho de 2010

Poesia do Medo


Tudo em volta me dá medo
gritos inexistentes me apavoram
imagens inventadas me deprimem
o belo e o aprazível me devoram.

O mundo se cobre de cinza
e de cinzas se enchem meus sonhos
cheiro pútrido que paira no ar
olhares tristes, sorrisos bisonhos.

Uma ânsia que me invade,
turbilhão de pensamentos confusos
conflitos que me sacodem
em noites de pesadelos difusos.

Pânico, ansiedade, depressão?
pouco importa quando a dor é sua
ninguém sabe o que se passa
na alma vazia e numa cabeça nua.

Me entorpeço, peço ajuda
me calo em desespero absoluto
vejo a morte rondar por perto
calado, sofro como quem está de luto

O tempo se arrasta sem pressa
o segundo vira hora, a noite vira prisão
a vida se esvai pelos dedos
sem ar, respiro o veneno da solidão.

Imploro que o sol limpe esta treva
que a luz e o dia acabem com a tortura
de viver sob o teto obscuro do medo
afastando de mim este fel que se apura.

Nem preces, nem rezas me consolam
nem deus nem o diabo sabem o que é
só o homem vive este absoluto martírio:
saber que o existir é mais que um exercício de fé.

Crer que depois da noite de pesadelos
clareia-se um dia cheio de cor e expectativa
tudo ganha forma, sabor e sentido
abre-se o pórtico de uma alma aflitiva.

Um comentário:

Paula Corrêa disse...

lindo,puro ... verdadeiro ...