domingo, 11 de julho de 2010

Palavra pintada


Vontade de pintar com palavras.
Minha tela, como todas, está em branco.
Vejo a trama do tecido com olhar apurado.
Decido as cores que estas palavras terão.
A tela continua pura, imaculada.
Bate o medo de violá-la sem o devido carinho.
Indecisão: que tons as palavras terão?
Forma e movimento a se juntarem.
A luz, as sombras com seus tons infinitos.
E a tela passa ilesa pelas minhas mãos.
Palavras são indomáveis, difíceis de pintar.
Correm pelo pensamento sem controle.
Aparecem e somem com a mesma velocidade.
A cor que a palavra terá? Tarefa difícil.
Com que cores irá combinar? Tarefa impossível.
Ainda sem coragem de pincelar a brancura do pano.
Alva, a tela descansa e me espera ansiosa.
Palavras são assim: fogem dos pincéis.
Quanto mais as persegue, mais longe se escondem.
Tinta escorrendo pelo pensamento.
Mistura que pinta a palavra com matizes indefinidos.
Obra de arte? Muito improvável.
E a tela? Continua... Nua... Bela... Pura.

3 comentários:

Soninha Francine disse...

Gostei! Muito!

Anônimo disse...

LINDO, me identifiquei, virei fã. Parabens!!!!
Silvana Poletto

Ana Ruas disse...

Que linda poesia!A tele branca e imaculada merece respeito e reverência! Para cada pincelada uma decisão! Para cada decisão,um olhar e uma reflexão! Assim é a pintura, assim é a palavra!Eu amo com toda a minha alma a cor...a palavra...o pensar!