terça-feira, 20 de julho de 2010

Palavra costurada



Mãos firmes passam a linha lambida pelo orifício metálico.
Arte de tecer a palavra costurando ponto a ponto a vida.

Lá vai a palavra entrando e saindo do tecido de forma quase sexual.
A trama se abre eufórica a espera da agulha: palavra costurada.

Tecendo e transformando, a palavra segue viajando pano adentro.
Botão e lantejoula enfeitando a veste: palavra que envaidece.

Lã e feltro unidos pela linha: palavra que aquece.
A boneca de pano da menina: palavra que brinca.

Palavra bem costurada dá gosto de vestir: caimento impecável.
Palavra e costureira são íntimas: juntas tecem as cosias da vida.

A palavra pesponta a vida, costurando nossos sonhos.
A palavra enfeita os sonhos, colorindo nossa vida esbranquiçada.



3 comentários:

Anônimo disse...

mais uma poesia perfeita, parabens

Sil Poletto

Zinah Alexandrino disse...

Parabéns Humberto,Gostei da estética dos versos, assim como do visual do Blog!Você sabe metaforizar a palavra, trabalhando com uma urdidura pouco convecional,é aí que fazes a diferença.Já tens livro publicado,se não o que estás esperando?

Boas fruições poéticas!

*lua* disse...

Seu poema está de black-tie! beijo