sexta-feira, 16 de julho de 2010

O sapateiro e o poeta.


Ofício em extinção. Passado, nostalgia, saudade.
Quanta história impressa nas solas dos que calçaram.
Todas e mais algumas acabando no colo do sapateiro.
Martelo, cola e prego a reescrevê-las: pura poesia.

O poeta, quase extinto, cumpre a sua sina.
Com pena e papel reescreve as coisas da vida.
Trabalha a palavra: sapato surrado, carregado de histórias.
Solitário, atrás do balcão, calça os pés dos sonhadores.

O sapateiro e o poeta, com tanto em comum, se completam.
No silêncio desta solidão, forjam couro e palavra em sonhos.
Aliviam nossa longa caminhada: sapato e idéia transformados.
Viver sem eles é coisa impensada.

Enquanto houver pé e pensamento a caminhar:
Lá estarão o sapateiro e o poeta, juntos a criar.

2 comentários:

Ser em construção disse...

Adorei a proposta do seu blog, voltarei sempre e aproveitando deixo o convite para conhecer o Em Construção.
Parabéns

MARTA LEANDRO disse...

Bela analogia. Belas palavras!